quarta-feira, 4 de abril de 2018

ÉPOCAS DIFÍCEIS

Épocas difíceis. Cenários de um período de transição.
Pensamento rudimentar de uma vida não vivida.
Tempos perdidos. Um lugar vazio, sem lutas,
Sem buscas, sem vidas e sem horas marcadas.

Sentimentos de uma vida mal traçada. Lutas em vão.
Uma mistura ilusória, desenfreadas e sem forças para seguir.
Um lugar no tempo e no espaço aguardando o furor das buscas.
Buscas, raramente com acertos. Noutras sem o menor significado.

Decisões jogada ao léu, como se fossem um lixo inorgânico.
E seguimos nossa vida normalmente, como se nada ao nosso
Redor estivesse acontecendo. Mas, está. Tudo está mudando.
Metamorfoseando, morrendo e renascendo constantemente.

Seremos massacrados e pisoteados se não estivermos atentos.
Atentos ao quê? A vida, ao Universo, ao nosso redor e ao amor.
Os sinais constantemente se aliam, se movimentam, um a um.
Olhemos, busquemos entender e compreenderemos tudo.

Rita Padoin

quarta-feira, 21 de março de 2018

OUTONO

De repente, outono. Uma nova estação. Um novo ciclo.
Nem amanheceu e o silêncio que era total, acordara.
Lá fora, o breu da noite ainda se faz presente.
Ouvem-se sons. Variados, fortes e constantes.

O céu negro cobriu com seu manto todas as estrelas
E o sol ainda dorme no aconchego do horizonte.
O verão, que até ontem se fazia presente,
Afivelou as malas e partiu sem dizer uma única palavra.

Os braços da timidez se abriram e com um sorriso alegre
Deu-lhe as boas-vindas. O outono agradeceu e se sentou no banco
Solitário da praça. Despojou a mala do seu lado e descansou
Por um longo e calmo período antes de desfazê-la.

O banco solitário e triste, levantou os olhos e percebeu que o outono
Havia chegado. As folhas já estavam caindo e o vento cantava
Uma nova canção. Logo, amanheceria e o cenário seria outro.
A vida seria outra e os momentos, novos e inesquecíveis.
Rita Padoin

sábado, 17 de março de 2018

NOSSO MOMENTO

Carrego ainda o olor do momento.
O cheiro da mata fechada.
A essência forte do mistério.

No ar, a lembrança do prazer inacabado.
Do tempo, uma espera. Da vida, discernimento.
Das horas, paciência.

Uma essência, um mistério, um desejo.
Triângulo piramidal dos momentos inesquecíveis.

Rita Padoin

quinta-feira, 15 de março de 2018

MEUS SENTIMENTOS

O que o faz pensar assim? Nada mudou! Tudo está do mesmo jeito. Fiz questão de deixar exatamente igual. Como da última vez. Afinal de contas ficou inacabado. Não quis esquecer o que me faz bem. Meus sentimentos ainda estão vivos. Acredito que os teus também.
Sentimentos não morrem. Eles permanecem para a eternidade, quando verdadeiros e puros. Talvez, não o alimentamos pelo fato de não entendermos a sua magnitude e existência. Eles são invisíveis a olho nu, mas refletem no nosso interior e deixam marcas irreparáveis se não o cuidarmos e entendermos.
Por isto, o espero, ansiosamente. Precisamos colocar os pingos nos ís. Um a um. Não nos encontramos ainda por razões que só o universo poderá responder. Tem coisas que não nos competem compreender. Outras, são óbvias. Por estas dificuldades de entendimentos que muitas vezes não compreendemos a vida e seus mistérios irrevelados.
Mantemos um padrão imposto por uma sociedade que talvez nem entenda o valor do sentimento, e nós acabamos acatando por medo ou por não querermos ficar sozinhos. Mas, o amor está fora de todo este padrão. O amor é divino, é espiritual e vem de uma longa jornada. Ele é semeado e cultivado por diversas razões e só não o colhemos pelo fato dele ser impalpável. Talvez, quando nos encontrarmos, entenderás. Quando estivermos frente a frente, seremos tocados por ele e não teremos como recuar.
Portanto, não tenhas medo. Vêm. Estou te esperando. Apesar de todo este mistério, ele ainda é a base que sustenta toda a estrutura deste sentimento. 

Rita Padoin

Simon Webbe - No Worries

quarta-feira, 14 de março de 2018

Midge Ure - Breathe

NOITE SOMBRIA

Sob a luz pálida de uma noite sombria, o inverno se aproxima.
Ouvem-se vozes. Cantam em coro e quebra o silêncio.
Lamparinas enfileiradas sobre a bancada de madeira, enfeitam a sala
E as sombras sobre o chão, desenham o cenário de uma noite fria.

Entre a fina cortina da sala, o luar observa atentamente o cenário.
As espessas paredes coral, lembram um passado não muito distante.
A toalha estendida sobre a mesa, apoia o vaso que abraça as hortênsias
Colhidas numa manhã fria e congelante de junho.

Entre olhares e vozes, o tempo passa, as horas se recolhem
E a luz pálida quebra o que parecia sombrio e apavorante.
A madrugada entra num súbito sacudir de ombro
A noite abre a porta da sala e sem se despedir, segue seu caminho.
Rita Padoin