domingo, 4 de outubro de 2026

Através dos vidros

Através dos vidros fechados
da janela antiga,
vejo o tempo lá fora.

 

Ele está carrancudo, triste.

 

O céu continua escuro.
Parece até que está anoitecendo,
mas são apenas nove horas da manhã.

 

O medo vem acompanhado do vento,
que grita, sacode as copas das árvores
como se quisesse arrancá-las do chão.

 

A chuva, antes calma,
agora chega forte e intensa.

 

As ruas começam a alagar,
e a água escorre ladeira abaixo,
levando consigo aquilo
que encontra pelo caminho.

 

Nem sempre estamos bem,
assim como o tempo.

 

Há dias em que o céu escurece
sem que a noite tenha chegado.

 

Dias em que o vento grita,
a chuva transborda
e tudo parece sair do lugar.

 

A vida também tem suas nuances,
seus temporais inesperados
e suas manhãs que parecem noites.

 

Mas até o tempo muda.

E talvez seja essa
a sua maneira silenciosa de nos ensinar
que nenhuma tempestade
é para sempre.


Rita Padoin



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