Através
dos vidros fechados
da janela antiga,
vejo o tempo lá fora.
Ele
está carrancudo, triste.
O
céu continua escuro.
Parece até que está anoitecendo,
mas são apenas nove horas da manhã.
O
medo vem acompanhado do vento,
que grita, sacode as copas das árvores
como se quisesse arrancá-las do chão.
A
chuva, antes calma,
agora chega forte e intensa.
As
ruas começam a alagar,
e a água escorre ladeira abaixo,
levando consigo aquilo
que encontra pelo caminho.
Nem
sempre estamos bem,
assim como o tempo.
Há
dias em que o céu escurece
sem que a noite tenha chegado.
Dias
em que o vento grita,
a chuva transborda
e tudo parece sair do lugar.
A
vida também tem suas nuances,
seus temporais inesperados
e suas manhãs que parecem noites.
Mas
até o tempo muda.
E
talvez seja essa
a sua maneira silenciosa de nos ensinar
que nenhuma tempestade
é para sempre.
Rita Padoin
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