A vida é
muito curta, e o tempo passa depressa demais. Tão depressa que nem conseguimos
acompanhá-lo. Ele corre diante de nós como um carrossel – uma grande peça
circular que gira em torno de um eixo vertical – e nós, os expectadores. Assim
é a vida: um carrossel em movimento constante.
Passamos
pelo tempo como passamos pela vida; sem perceber. Caminhamos pela mesma rua
todos os dias e nem notamos a rua. Não observamos a vida, nem a beleza que está
ao nosso redor – esse é o nosso maior problema.
Tudo
está ali, mudando a cada segundo, e não nos damos conta. Há transformação
continuamente: tudo nasce, cresce, floresce, vive e morre a cada estação, e
ainda assim não sentimos. Não sentimos porque estamos alheios ao que acontece à
nossa volta. Vemos, mas não enxergamos.
Creio
que chegou o momento de acordar e fazer tudo diferente. Ver o mundo sob outro
ângulo, outra perspectiva. Olhar para cima, para os lados, e até para trás, de
vez em quando. Abrir os braços para o infinito e deixar que ele nos abrace.
Criar
novos hábitos. Fugir do trivial. Cantar alto. Ouvir músicas diferentes daquelas
a que estamos acostumados. Caminhar todos os dias. Caminhar por outras ruas,
mudar o trajeto. Caminhar faz bem para o corpo e para a alma. E a alma
necessita de ar puro, de paz, de harmonia e de silêncio.
Sinta o
perfume suave das flores. A brisa acariciando o rosto. O canto dos pássaros. As
folhas caindo. O som do vento. Ouça o mundo falando. Ele se move, sussurra,
tenta nos despertar desse pequeno mundo em que nos encolhemos.
Sejamos
ousados, ao menos de vez em quando. Vamos amar muitas e muitas vezes. Sonhar
alto. Fazer novas amizades. Conhecer pessoas. Conhecer pessoas é ampliar o
mundo dentro de nós.
Fazer
críticas construtivas. Abrir novos horizontes. Buscar o prazeroso, o
improvável, talvez até o que muitos consideram impossível. Viver a “loucura
boa” que sempre desejamos e que o medo tantas vezes nos fez adiar.
Ler
muito. Ler nos leva para longe, para dentro, para fora, para mundos
desconhecidos. Ler nos apresenta novas culturas, novos povos, exercita nossa
memória, nossa atenção e nossos pensamentos.
Acordar
cedo. Sentir o silêncio da manhã, o orvalho, o frescor, o canto dos pássaros.
Deixar a paz entrar no coração. Apreciar o nascer do sol. Fechar os olhos e
permitir que o mundo nos conduza.
Lembre-se: a vida nos chama para vivermos
cada minuto.
Rita Padoin
Do Livro "As Musas do Vale"

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