sexta-feira, 24 de julho de 2026

O Carrocel do Tempo

A vida é muito curta, e o tempo passa depressa demais. Tão depressa que nem conseguimos acompanhá-lo. Ele corre diante de nós como um carrossel – uma grande peça circular que gira em torno de um eixo vertical – e nós, os expectadores. Assim é a vida: um carrossel em movimento constante.

 

Passamos pelo tempo como passamos pela vida; sem perceber. Caminhamos pela mesma rua todos os dias e nem notamos a rua. Não observamos a vida, nem a beleza que está ao nosso redor – esse é o nosso maior problema.

 

Tudo está ali, mudando a cada segundo, e não nos damos conta. Há transformação continuamente: tudo nasce, cresce, floresce, vive e morre a cada estação, e ainda assim não sentimos. Não sentimos porque estamos alheios ao que acontece à nossa volta. Vemos, mas não enxergamos.

 

Creio que chegou o momento de acordar e fazer tudo diferente. Ver o mundo sob outro ângulo, outra perspectiva. Olhar para cima, para os lados, e até para trás, de vez em quando. Abrir os braços para o infinito e deixar que ele nos abrace.

 

Criar novos hábitos. Fugir do trivial. Cantar alto. Ouvir músicas diferentes daquelas a que estamos acostumados. Caminhar todos os dias. Caminhar por outras ruas, mudar o trajeto. Caminhar faz bem para o corpo e para a alma. E a alma necessita de ar puro, de paz, de harmonia e de silêncio.

 

Sinta o perfume suave das flores. A brisa acariciando o rosto. O canto dos pássaros. As folhas caindo. O som do vento. Ouça o mundo falando. Ele se move, sussurra, tenta nos despertar desse pequeno mundo em que nos encolhemos.

 

Sejamos ousados, ao menos de vez em quando. Vamos amar muitas e muitas vezes. Sonhar alto. Fazer novas amizades. Conhecer pessoas. Conhecer pessoas é ampliar o mundo dentro de nós.

 

Fazer críticas construtivas. Abrir novos horizontes. Buscar o prazeroso, o improvável, talvez até o que muitos consideram impossível. Viver a “loucura boa” que sempre desejamos e que o medo tantas vezes nos fez adiar.

 

Ler muito. Ler nos leva para longe, para dentro, para fora, para mundos desconhecidos. Ler nos apresenta novas culturas, novos povos, exercita nossa memória, nossa atenção e nossos pensamentos.

 

Acordar cedo. Sentir o silêncio da manhã, o orvalho, o frescor, o canto dos pássaros. Deixar a paz entrar no coração. Apreciar o nascer do sol. Fechar os olhos e permitir que o mundo nos conduza.

 

Lembre-se: a vida nos chama para vivermos cada minuto.


Rita Padoin

Do Livro "As Musas do Vale"

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Oportunidades

Dei oportunidades a todas as pessoas que cruzaram o meu caminho. Nem todas compreenderam o propósito da minha presença em suas vidas, tampouco o processo que compartilhamos.

 

As oportunidades foram oferecidas. Os sinais foram enviados. Se não souberam reconhecê-los, seguirão à procura daquilo que jamais encontrarão, porque certas oportunidades não se repetem e alguns encontros acontecem apenas uma vez.

 

Rita Padoin

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Mulher e Enigma

Sou uma mulher que a vida ensinou a dar valor às pequenas coisas. Talvez pela educação que recebi, talvez por morar numa cidade pequena, talvez porque não tive tantas oportunidades como as de hoje, ou talvez porque já nasci com este olhar que crê nas belezas que a natureza oferece.

 

Sou uma mulher cujo semblante quer dizer muitas coisas. No olhar há um livro a ser decifrado, cada página uma história, cada linha um segredo. Assim sou eu, cheia de enigmas como qualquer ser humano que tem dentro da caixa seus segredos.

 

Sou uma mulher que, às vezes, se sente tão adulta que leva no ombro o mundo inteiro e, outras vezes, tão frágil quanto uma criança que ainda brinca de ser feliz.

 

Assim sou eu: às vezes uma criança, outras vezes mulher.


Rita Padoin

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Cadê

Cadê a primavera que traz as flores

E ornamenta os caminhos íngremes?

Fugiram-me as palavras que formam

As frases rebuscadas e adornam

Os poemas esboçados e ofertados.

 

Cadê as flores pomposas e multicoloridas

Que brotam das fendas da terra?

Imerecidamente suportei ao ver-te,

Tão pálido e triste, dentro do contexto

Universal ao qual nasceste.

 

De forma similar, vieste provar o encanto,

Saborear o mel que, em outras primaveras,

O néctar das flores ofereceu aos deuses.

Indignamente foste, sem ao menos olhar

As lindas manhãs de uma primavera.

 

Rita Padoin



quinta-feira, 2 de julho de 2026

Publicação de Livros autorais de Rita Padoin


Toda história começa com uma pessoa. 📚✨

Natural de Urussanga, Rita Padoin encontrou na escrita uma forma de transformar a inspiração, as experiências e os sentimentos em literatura. Desde a publicação de seu primeiro livro, em 2010, vem construindo uma trajetória marcada pela poesia, pelos contos, pelos pensamentos e pelo incentivo à leitura, participando de eventos literários, projetos culturais e atividades em escolas.
Agora, essa trajetória ganha um novo e importante capítulo.

Por meio do Projeto Cultural "Publicação de Livros Autorais de Rita Padoin", aprovado pelo Programa de Incentivo à Cultura (PIC), serão lançados nove livros inéditos, ampliando sua produção literária e levando novas histórias aos leitores. O projeto também contempla a publicação de uma edição em Braille, reforçando o compromisso com a acessibilidade e a democratização do acesso à leitura.
Ao longo das próximas semanas, vamos apresentar cada uma dessas obras, compartilhar curiosidades sobre o processo de criação e acompanhar essa importante realização.

Seja bem-vindo(a) a essa nova jornada literária! ❤️📖

#PraTodosVerem

Medo, palavra pequena

Porque esta palavra tão pequena e simples nos dá tanto temor? Tanta angústia? Por que vivemos rodeadas diariamente de medos e inseguranças?

 

Tudo que é novo para nós, gera expectativas, inseguranças, medos e angústias, não estamos acostumados e preparados para as mudanças e isso nos põe em reflexão sobre muitas coisas que a vida sugere ou coloca no nosso caminho para ver se conseguimos e temos a coragem de enfrentá-la ou não.


Enfrentar o novo nos deixa reflexivos e com muitos pontos de interrogações: Como será? O que nos espera? O que têm lá na frente nos aguardando? Será que estamos preparados para isso? Será que é o melhor?

Pois é, somos humanos e como seres humanos, fraquejamos e nos sentimos inertes a maioria das vezes. No caminho sempre encontraremos dificuldades e tropeços, não adianta fugirmos do que o destino já traçou, sabemos disso, só que fazemos questão de não lembrar, pulamos sempre esta parte...risos porque buscamos a perfeição.

 

Buscamos aquilo que nos faz bem, aquilo que chamamos de felicidade, esta corrida pela busca da felicidade exterior faz de nós marionetes da vida.

Quando nos damos conta o medo tomou conta de nós, não era para termos medo, a vida é tão simples, está aí pra gente viver, tudo foi nos dado de graça, então porque sofremos tanto?


Como diz Buda, sofremos porque desejamos, se contermos o desejo com certeza não teremos sofrimento e com isso o medo deixará de nos perseguir.


Rita Padoin