Ao decidir escrever-te, uma onda
gigantesca se apossou de mim. Entre a dúvida do que dizer e a certeza do que
sinto, deixei que a alma conduzisse a mão. O agora escorre sobre o papel, não é
tinta, é o meu sentimento. Enquanto a caneta desliza, o papel deixa de ser
apenas papel – torna-se a extensão de mim, forma do meu amor, da minha paixão,
do meu sentir de mulher.
Escrever sempre foi mais fácil do
que falar. As palavras escritas permanecem: as ditas, o vento leva.
Meu sentimento por ti cresce a cada
dia. Sentimentos são poemas recitados com o coração – um salto no vazio, mas
sem medo da queda.
Queria dizer tantas coisas e ao
mesmo tempo, temo não saber como. Tento desenhar em palavras suaves, a
revolução que se formou aqui dentro. Tudo começou com um pensamento leve, quase
distraído...depois daquele olhar. Desde
então, tudo mudou. Meu mundo mudou. Eu mudei. Não me reconheço mais. Meu
sentimento que antes era só meu, agora metade é teu também.
Este amor, que dorme dentro de mim,
quer se libertar – ir em busca da sua outra parte. Ele é puro, sensível,
acolhedor. Um amor que está a tua espera.
Há dentro de mim um amor sereno e
forte, puro e acolhedor, que deseja se libertar – atravessar o oceano para te
encontrar, atravessar o tempo e a distância – para encontrar essa outra parte
que tanto espero.
Escrevo-te esta carta como uma
forma de derramar entre essas linhas meus segredos mais profundos, esperando um
dia que minhas palavras te alcancem. E quando leres, saberás que não é apenas
meras palavras, mas um coração que te espera ansioso.
Meu amor te espera.
Rita Padoin