segunda-feira, 18 de maio de 2026

Metáforas da Vida

Há uma névoa negra encobrindo minha visão. Sei de onde vem e a quem está afetando. O momento é tenso e indefinido. Uma longa linha reta se forma, e meus olhos lacrimejam ao sentir essa turbulência nebulosa. De onde ela vem, há história, esperança, intensidade e luta interna querendo se livrar desse incômodo.

 

Com o passar do tempo, tudo vai se dissipando. As promessas seguem seu curso, e aquilo que era para ser passará por inúmeras ilusões. O tempo é o melhor aliado. Ele sempre estará ao nosso lado, nos apoiando. O importante é entendermos que tempo e sabedoria andam de mãos dadas.

 

Ao compreender as metáforas da vida, estaremos compreendendo a nós mesmos.

 

Rita Padoin

sábado, 16 de maio de 2026

Nada Restou

Nada restou na sala de estar.

Nada restou no quarto,

Apenas as marcas do passado.

 

São as lembranças,

Que me atormentam.

 

Passo pelo corredor escuro,

E a claridade da lua

Bate na parede,

Pela janela da sala.

 

Cadê você!

A casa está vazia.

O sono não vem.

 

Ouço a música,

Que vem lá de fora.

 

A janela está aberta.

A noite é longa,

A madrugada se estende.

 

Ouço passos

E o sono não vem.

 

Quem sabe, se você estivesse aqui,

A noite seria breve.

O tempo pararia,

Restaria apenas,

O nosso momento. 


Rita Padoin

quinta-feira, 7 de maio de 2026

A Lei da Vida

O destino está traçado de maneira sutil e, ainda assim, enigmática. Nada e nem ninguém pode interferir. Nascemos com ele traçado e seguimos, vivendo sem perceber que estamos nas mãos do Universo. Temos o poder de escolher caminhos, de traçar rotas à nossa maneira, de usufruir cada instante – mas, ao final da estrada, compreendemos que nem tudo aquilo que almejamos foi capaz de nos satisfazer verdadeiramente.

 

Por que, então, ao olhar para trás, sentimos que tudo não está no seu devido lugar? Porque o sonho era nosso. As perspectivas eram nossas. E a ânsia de querer tudo à nossa maneira... também era nossa.

 

Quando entendemos que devemos seguir os passos que nos foi confiado, percebemos que nada pode dar errado. Até mesmo o que julgamos como pior, revela-se parte do melhor caminho.

 

Os tropeços tornam-se aliados, e nada nem ninguém é capaz de nos alcançar ou nos prejudicar, quando estamos em sintonia com aquilo que nos foi destinado.

 

A lei da vida é sábia.

Que sejamos, também, capazes de aprender com ela.

 

Rita Padoin

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Amor Invisível

Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.

 

Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.

 

Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.

 

Rita Padoin

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Entre o bem e o mau

Entre o bem e o mau existe uma linha – ainda que invisível, ainda que silenciosa. É sobre ela que caminhamos, muitas vezes sem perceber, equilibrando sentimentos, escolhas e intenções.

 

Essa linha possui o poder de nos conduzir ao equilíbrio emocional que tanto buscamos. Tudo é dualidade, mas, entre esses dois extremos, existe um instante precioso: o da reflexão. Quando paramos para refletir, suspendemos as turbulências e conseguimos enxergar que há, sim, um ponto sem nó.

 

Nossos passos definem a nossa direção, seja ela voltada ao bem ou ao mau. Há em nós o poder de decifrar qual caminho seguir. Os caminhos podem ser invisíveis, mas nossas decisões se tornam concretas – e é nelas que reside a responsabilidade da escolha.

 

Entre o bem e o mau, há uma escola silenciosa, onde a vida se apresenta como mestra. Há um propósito que sustenta nossos passos. O crescimento e o desenvolvimento nascem de decisões que tomamos – sejam elas guiadas pela luz ou pela sombra.

 

Ambos os caminhos nos conduzem a um mesmo destino. No entanto, é a escolha que fazemos que determina se a jornada será mais breve e promissora, ou longa e marcada pelo sofrimento. 

 

Rita Padoin

sábado, 18 de abril de 2026

Raizes que sustentam

As raízes que nos sustentam, mesmo quando fortes, por vezes se rompem diante das lutas travadas para alcançar aquilo que almejamos. Para que cresçam firmes e consigam sustentar nossa base, é necessário cuidado constante. Nem sempre estamos atentos, nem sempre conseguimos superar os traumas – por isso, precisamos cultivar também momentos leves.

 

Nossos passos desenham nossos caminhos, e nossas lutas revelam nossos ideais. Para que nada seja capaz de nos derrubar, é preciso fortalecer o que nos sustenta, mantendo nossa base integra.

 

Raízes são a nossa estrutura. Somos como uma casa: no início, o concreto dá sustentação à fundação. Em nós, porém, são as raízes o elemento essencial dessa construção. É por meio delas que seguimos erguendo quem somos – fortes, resilientes e capazes de enfrentar as intempéries da vida. 

 

Rita Padoin



sábado, 11 de abril de 2026

O Caminho da Aceitação

“A esperança é a última que morre”, assim ouvimos desde sempre. Durante minha caminhada, entendi que sonhar é bom, ter esperança também; porém, os acontecimentos estão nas mãos de Deus. Queremos, desejamos, mas se Ele não quer, não adianta sonhar. Nosso destino já está traçado. Querendo ou não, precisamos aceitar. E é na aceitação que compreendemos nada nos pertence – nem mesmo nossos desejos.

 

Aceitar faz parte do nosso crescimento e desenvolvimento. Ao aceitar, percebemos que a vida flui naturalmente, sem magoas nem ressentimentos. Nosso peito vibra, e a alma se torna leve. É nessa leveza que a felicidade habita. É ali que tudo encontra seu curso, e passamos a enxergar aquilo que, há muito tempo, não víamos,

 

Somos um misto de emoções e sensações. Por isso, é necessário viver em paz, para que aquilo que a vida tem reservado para nós venha ao nosso encontro. A aceitação é o segredo do nosso crescimento e da nossa felicidade.

 

Rita Padoin

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Entre Olhares e Silêncios

Quando os olhares se comunicam, há uma mistura de imaginação e entendimento. Entre as paredes invisíveis nasce um reconhecimento de alma – um encontro silencioso que mantém, quase aprisionado, aquilo que descobrimos dentro de nós.

 

São histórias vividas que, de alguma forma, se reencontraram no tempo. Não é preciso toque, mas de sentir – conectar-se, entregar-se. Esse sentir é desconhecido e invisível aos olhos alheios, mas para aqueles que se reconhecem, torna-se algo naturalmente visível.

 

Quantas vidas, quantos anos, quantas vivências são necessárias para que esse momento aconteça? Impossível saber.

 

A conexão é sutil. Tão sutil que, se não estivermos preparados, passa despercebida.

 

Por isso, é preciso estar atento – aos acontecimentos, aos encontros, aos sinais do universo. Só assim conseguimos compreender o que, muitas vezes, não se explica...apenas se sente. 

Rita Padoin

segunda-feira, 30 de março de 2026

O Centro do Todo

Há, em algum lugar, uma distância que nos comove. Nem sempre essa distância revela segredos. Às vezes, ela nos mostra verdades nuas e cruas. E, quando isso acontece, somos agraciados com todas as histórias que estavam escondidas e vieram à tona. São segredos que só se revelam a quem tem a curiosidade de compreender o seu significado.

 

Sempre haverá intenção de nos imaginarmos dentro do centro onde o todo se instala. É lá que estão as respostas para as nossas perguntas e interrogações. É no centro do todo que mora a nossa parte faltante. É lá que encontraremos tudo aquilo de que precisávamos.

 

Precisamos enfrentar o medo e seguir adiante. Adentrar esse portal e nos fortalecer para compreender o tudo e o nada.

 

Rita Padoin



quinta-feira, 12 de março de 2026

O Sussurro da Esperança

Entre os vales que me rodeiam e as matas que escondem segredos, estão as minhas esperanças por um lugar ao sol. Entre meus dias e minhas noites, a solidão me acompanha de forma serena. São os meus gritos e as minhas formas de entender que nada veio para ficar — ou para sempre. O tempo sussurra ao meu ombro que meu dia de espera acabou. Que a vida está dentro de um pacote transparente, descansando, mas atenta a tudo.

 

Sou um misto de tantas coisas que, no fim, não entendo quase nada. Não entendo minhas buscas, meus sonhos, minhas loucuras, meu buscar. São verdades dentro de um barril já gasto pelo tempo, mas que continuam verdades, mesmo nuas e cruas. Mesmo que machuquem uns, ensinem outros e deixem muitas dúvidas no ar.

 

O planeta sofre com tantas mudanças drásticas, e eu também sofro por não compreender muitas coisas que acontecem. São acontecimentos que escorrem entre os dedos, e não consigo segurar ou, pelo menos, estabilizar. É mais forte que tudo. Mais forte que eu, que as pessoas ao meu redor e que todos os seres que habitam este planeta.

 

Acredito que seja essa energia no ar — uma energia pesada, proveniente de pensamentos fortes e densos. Só conseguiremos deixar tudo mais leve quando essa leveza retornar para dentro de cada um. Sejamos leves, livres e esperançosos, para tornar tudo ao nosso redor mais luminoso.

 

Rita Padoin

quarta-feira, 4 de março de 2026

Pérolas

Dizem que a pérola sofre até atingir o ápice.
Que a ostra se fecha
e que o grão de areia a incomoda
de uma forma que machuca, dói.

 

Mas ela não desiste.
Permanece firme,
pois compreende seu destino.
Sabe que, num futuro próximo,
vai crescer, transformar-se, evoluir.

 

Assim somos nós.
Passamos por dificuldades, tropeços,
dias de tempestade e silêncio.
E, quando tudo passa,
percebemos o quanto crescemos.

 

Somos pérolas.
Somos lutas.
Somos mulheres que resistem.
Somos vencedoras.

 

Rita Padoin





terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Momentos

Existem momentos inesquecíveis.

Outros, nem tanto.

E ainda aqueles que nos deixam arrasados.

 

Os momentos são os mesmos,

Mas para cada um,

Um novo despertar,

Um novo olhar,

Uma nova oportunidade,

Um novo acontecimento.

 

Momentos são instantes intitulados

Para que vivamos intensamente,

Ou deixamo-los escorrer pelas valas comuns.

Depende apenas da nossa ótica entendê-los

E fazer deles o melhor.

Rita Padoin




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Minha Verdade não se Negocia

Para sermos nós mesmos, é necessário deixar de lado as hipocrisias e ir direto ao ponto. Não é porque sou escritora e trabalho meu lado espiritual que preciso agradar a todos e engolir seco tudo o que vem pela frente.

 

Ser escritora ou buscar a espiritualidade para ser melhor não significa que eu tenha que ser boazinha e permitir que as pessoas pisem em mim, ou aceitar aquilo querem que eu seja. Não.

 

Ser nós mesmos e buscar o crescimento espiritual, é reconhecer que existem leis e direitos. Que existem regras. Que precisamos ser justos, bons de coração. Que as coisas precisam ser boas para ambas as partes, e não apenas para um lado.

 

Quero deixar registrado que não é porque escrevo sobre a vida – seus percalços, suas incógnitas, seus mistérios – que devo deixar de lado a minha verdade, os meus desejos e as minhas emoções.

 

Buscar evolução não significa aceitar desrespeito.
Bondade não é fraqueza.
Compreensão não é submissão.

 

Existem limites.
Existem direitos.
Existe verdade.

 

E eu não deixo a minha de lado para caber nas expectativas dos outros. 

 

Rita Padoin

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Minha Casa da Infância

Lembro-me de partes da minha infância.
Outras se perderam na memória,
como páginas de um livro apagadas pelo tempo.
As que ficaram são nítidas
como águas cristalinas.
Lembro-me delas como se fosse hoje.


O tempo corre como vento tempestivo,
levando lembranças como brumas.
A saudade fica,
e as memórias guardadas
no baú daqueles dias vividos
trazem nostalgia, alegria e amor.

 

Minha casa da infância tinha a cor da harmonia.
No jardim dos fundos, flores coloridas:
margaridas, amores-perfeitos,
bocas-de-leão e papoulas
ornamentavam o ambiente
com ternura e emoção.

 

Que saudade daquele tempo
que não volta mais.

 

Na frente da casa, uma figueira
sombreava a calçada.
Sob ela, um banco descansava solitário.
Ao fim da tarde, as mães conversavam
enquanto os filhos se amontoavam para brincar
até a noite chegar
e cada um voltar para casa descansar.

 

Minha casa da infância tinha gosto de emoção.
Os braços que me acolhiam na dor
eram os de minha avó,
apertando-me até tudo melhorar.
E os olhos castanhos de minha mãe
brilhavam de emoção
ao ver aquela cena
feita de paz e amor.

 

Rita Padoin




terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A Corda

A corda vai, a corda vem,

E no balançar,

Um pulo aqui, outro acolá.

 

A menina de saia rodada

Cruza os pés no enlace na corda.

A fila anda, à espera da vez.

 

Um pulo aqui, um acolá

E, no ziguezague dos quadris,

A criançada se agita.

 

A corda se movimenta freneticamente,

Agora de dois em dois.

Um pulo aqui, outro acolá.

 

A corda vai, a corda vem.

A corda sobe, a corda desce.

As mãos se movimentam

Num giro de 360 graus.

 

No ar, vai desaparecendo

O vai e vem da corda.

 

Rita Padoin



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Quando Eu Morrer

Quando eu morrer,

Cantem, dancem,

Bebam até cair.

Quero todos bem felizes.

 

Nada de caixão –

Não quero ficar sufocada

Incinerem meu corpo

E me lancem no mar.

 

Toquem violão,

Bateria e pés no chão.

Deem as mãos

E gritem de emoção.

 

Rita Padoin

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Leveza do Amor

Estaria mentindo se dissesse que não acredito no amor

Ele se encontra entre as fissuras estreitas que permite a

Passagem de luz e de ar, variando da profundidade.

Ah! O amor. Sentimento que nos leva ao céu e ao

Inferno em questão de milésimos de segundos.

 

Num piscar de olhos sonhamos acordados

Com uma vida cheia de intensidade

Alguém nos elevando nas asas da emoção

Pesquisamos entre as linhas nossas duvidas

Mas, só o tempo nos dirá se realmente era o amor.

 

Entre altos e baixos vamos seguindo na descoberta

Desse amor que tem se confundido com a paixão.

Só que o amor é leve, livre, solto e paciente

Isto prova que somos desconhecedores de que

O amor é simplesmente a nossa evolução.

 

Rita Padoin




domingo, 11 de janeiro de 2026

Goethe e o Ouro

Brotam os filhos da terra.

Deles nascem os frutos:

Doces como o néctar,

Dourados como o sol.

 

Colhidos no verão escaldante

E adormecidos na escuridão

De uma noite sem fim.

 

Canta, de dentro da garrafa,

A alma do vinho aprisionada –

Bebida dos deuses do Olimpo

Que eternizava a vida.

 

Brindes e risos.

Abraços e aconchegos.

Nostalgias.

 

A poesia líquida é derramada em taças,

Deixando seu brilho

Reluzente como ouro

E o aroma do vinho Goethe.

 

Rita Padoin 



quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Doce Estação

Esta estação é tão doce! Tão intensa!

Traz a nostalgia de um passado distante.

A chuva que torrencialmente lava a terra,

Lava também as minhas emoções.

 

Caminhas a passos lentos e cabisbaixo.

Trazes nas mãos, flores. No peito, a saudade.

O tempo acompanha revelando todos

Os segredos de um passado distante.

 

Rita Padoin