Entre os vales que me rodeiam e as matas que
escondem segredos, estão as minhas esperanças por um lugar ao sol. Entre meus
dias e minhas noites, a solidão me acompanha de forma serena. São os meus
gritos e as minhas formas de entender que nada veio para ficar — ou para
sempre. O tempo sussurra ao meu ombro que meu dia de espera acabou. Que a vida
está dentro de um pacote transparente, descansando, mas atenta a tudo.
Sou um misto de tantas coisas que, no fim, não entendo
quase nada. Não entendo minhas buscas, meus sonhos, minhas loucuras, meu
buscar. São verdades dentro de um barril já gasto pelo tempo, mas que continuam
verdades, mesmo nuas e cruas. Mesmo que machuquem uns, ensinem outros e deixem
muitas dúvidas no ar.
O planeta sofre com tantas mudanças drásticas, e eu
também sofro por não compreender muitas coisas que acontecem. São
acontecimentos que escorrem entre os dedos, e não consigo segurar ou, pelo
menos, estabilizar. É mais forte que tudo. Mais forte que eu, que as pessoas ao
meu redor e que todos os seres que habitam este planeta.
Acredito que seja essa energia no ar — uma energia
pesada, proveniente de pensamentos fortes e densos. Só conseguiremos deixar
tudo mais leve quando essa leveza retornar para dentro de cada um. Sejamos
leves, livres e esperançosos, para tornar tudo ao nosso redor mais luminoso.
Rita Padoin

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