sábado, 16 de maio de 2026

Nada Restou

Nada restou na sala de estar.

Nada restou no quarto,

Apenas as marcas do passado.

 

São as lembranças,

Que me atormentam.

 

Passo pelo corredor escuro,

E a claridade da lua

Bate na parede,

Pela janela da sala.

 

Cadê você!

A casa está vazia.

O sono não vem.

 

Ouço a música,

Que vem lá de fora.

 

A janela está aberta.

A noite é longa,

A madrugada se estende.

 

Ouço passos

E o sono não vem.

 

Quem sabe, se você estivesse aqui,

A noite seria breve.

O tempo pararia,

Restaria apenas,

O nosso momento. 


Rita Padoin

quinta-feira, 7 de maio de 2026

A Lei da Vida

O destino está traçado de maneira sutil e, ainda assim, enigmática. Nada e nem ninguém pode interferir. Nascemos com ele traçado e seguimos, vivendo sem perceber que estamos nas mãos do Universo. Temos o poder de escolher caminhos, de traçar rotas à nossa maneira, de usufruir cada instante – mas, ao final da estrada, compreendemos que nem tudo aquilo que almejamos foi capaz de nos satisfazer verdadeiramente.

 

Por que, então, ao olhar para trás, sentimos que tudo não está no seu devido lugar? Porque o sonho era nosso. As perspectivas eram nossas. E a ânsia de querer tudo à nossa maneira... também era nossa.

 

Quando entendemos que devemos seguir os passos que nos foi confiado, percebemos que nada pode dar errado. Até mesmo o que julgamos como pior, revela-se parte do melhor caminho.

 

Os tropeços tornam-se aliados, e nada nem ninguém é capaz de nos alcançar ou nos prejudicar, quando estamos em sintonia com aquilo que nos foi destinado.

 

A lei da vida é sábia.

Que sejamos, também, capazes de aprender com ela.

 

Rita Padoin

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Amor Invisível

Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.

 

Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.

 

Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.

 

Rita Padoin

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Entre o bem e o mau

Entre o bem e o mau existe uma linha – ainda que invisível, ainda que silenciosa. É sobre ela que caminhamos, muitas vezes sem perceber, equilibrando sentimentos, escolhas e intenções.

 

Essa linha possui o poder de nos conduzir ao equilíbrio emocional que tanto buscamos. Tudo é dualidade, mas, entre esses dois extremos, existe um instante precioso: o da reflexão. Quando paramos para refletir, suspendemos as turbulências e conseguimos enxergar que há, sim, um ponto sem nó.

 

Nossos passos definem a nossa direção, seja ela voltada ao bem ou ao mau. Há em nós o poder de decifrar qual caminho seguir. Os caminhos podem ser invisíveis, mas nossas decisões se tornam concretas – e é nelas que reside a responsabilidade da escolha.

 

Entre o bem e o mau, há uma escola silenciosa, onde a vida se apresenta como mestra. Há um propósito que sustenta nossos passos. O crescimento e o desenvolvimento nascem de decisões que tomamos – sejam elas guiadas pela luz ou pela sombra.

 

Ambos os caminhos nos conduzem a um mesmo destino. No entanto, é a escolha que fazemos que determina se a jornada será mais breve e promissora, ou longa e marcada pelo sofrimento. 

 

Rita Padoin

sábado, 18 de abril de 2026

Raizes que sustentam

As raízes que nos sustentam, mesmo quando fortes, por vezes se rompem diante das lutas travadas para alcançar aquilo que almejamos. Para que cresçam firmes e consigam sustentar nossa base, é necessário cuidado constante. Nem sempre estamos atentos, nem sempre conseguimos superar os traumas – por isso, precisamos cultivar também momentos leves.

 

Nossos passos desenham nossos caminhos, e nossas lutas revelam nossos ideais. Para que nada seja capaz de nos derrubar, é preciso fortalecer o que nos sustenta, mantendo nossa base integra.

 

Raízes são a nossa estrutura. Somos como uma casa: no início, o concreto dá sustentação à fundação. Em nós, porém, são as raízes o elemento essencial dessa construção. É por meio delas que seguimos erguendo quem somos – fortes, resilientes e capazes de enfrentar as intempéries da vida. 

 

Rita Padoin



sábado, 11 de abril de 2026

O Caminho da Aceitação

“A esperança é a última que morre”, assim ouvimos desde sempre. Durante minha caminhada, entendi que sonhar é bom, ter esperança também; porém, os acontecimentos estão nas mãos de Deus. Queremos, desejamos, mas se Ele não quer, não adianta sonhar. Nosso destino já está traçado. Querendo ou não, precisamos aceitar. E é na aceitação que compreendemos nada nos pertence – nem mesmo nossos desejos.

 

Aceitar faz parte do nosso crescimento e desenvolvimento. Ao aceitar, percebemos que a vida flui naturalmente, sem magoas nem ressentimentos. Nosso peito vibra, e a alma se torna leve. É nessa leveza que a felicidade habita. É ali que tudo encontra seu curso, e passamos a enxergar aquilo que, há muito tempo, não víamos,

 

Somos um misto de emoções e sensações. Por isso, é necessário viver em paz, para que aquilo que a vida tem reservado para nós venha ao nosso encontro. A aceitação é o segredo do nosso crescimento e da nossa felicidade.

 

Rita Padoin

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Entre Olhares e Silêncios

Quando os olhares se comunicam, há uma mistura de imaginação e entendimento. Entre as paredes invisíveis nasce um reconhecimento de alma – um encontro silencioso que mantém, quase aprisionado, aquilo que descobrimos dentro de nós.

 

São histórias vividas que, de alguma forma, se reencontraram no tempo. Não é preciso toque, mas de sentir – conectar-se, entregar-se. Esse sentir é desconhecido e invisível aos olhos alheios, mas para aqueles que se reconhecem, torna-se algo naturalmente visível.

 

Quantas vidas, quantos anos, quantas vivências são necessárias para que esse momento aconteça? Impossível saber.

 

A conexão é sutil. Tão sutil que, se não estivermos preparados, passa despercebida.

 

Por isso, é preciso estar atento – aos acontecimentos, aos encontros, aos sinais do universo. Só assim conseguimos compreender o que, muitas vezes, não se explica...apenas se sente. 

Rita Padoin