Reviver toda a minha história seria como desfolhar
páginas amareladas e relê-las com calma. Às vezes, nosso passado pede
lembranças; em outras, apenas o esquecimento de tudo o que aconteceu. Os bons
momentos permanecem na memória como instantes que gostaríamos de reviver para
sempre, ou como se o tempo pudesse congelar, mantendo-nos ali, eternamente. Já
os momentos difíceis preferimos evitar, mas esquecemos que foi justamente por
meio deles que demos o primeiro passo para seguir em frente. As feridas são
professoras silenciosas que nos orientam e nos fortalecem.
É claro que, muitas vezes, só percebemos a presença
dessas professoras quando nos vemos novamente diante de uma queda. Porque
sempre haverá um novo tropeço, uma desilusão, uma tristeza. São os ensinamentos
da vida, lembrando-nos de que só evoluímos ao atravessar cada desafio que ela
nos apresenta.
Viver é assim: correr riscos, tropeçar para olhar
com mais atenção o caminho que estamos percorrendo. Talvez seja uma desilusão
amorosa, uma decepção familiar ou qualquer outra dor que nos faça entender que
o amor também é feito de críticas, desencontros e aborrecimentos. Para nos
tornarmos adultos fortes, primeiro seremos esmagados pelas circunstâncias e,
depois, polidos por elas. É esse processo que molda quem realmente somos.
Rita Padoin
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