Ao ler um livro, o leitor descobrirá a verdadeira essência poética enraizada nas veias de quem o escreveu, despertando assim, a poesia esquecida nas veias de quem está nesta viagem.
Rita Padoin
Ao ler um livro, o leitor descobrirá a verdadeira essência poética enraizada nas veias de quem o escreveu, despertando assim, a poesia esquecida nas veias de quem está nesta viagem.
Rita Padoin
O rio corta a cidade
O rio chora
O rio lamenta
E todas as suas mágoas desaguam
Em um súbito e inesperado momento,
No mar...
E o mar quando o recebe
Abre-se em euforia
Pois sabe que o destino do rio
Estará em suas mãos.
Toda aquela doce candura
Se transformará
Tornando-se oceano
E não poderá mais voltar
Ao seu curso normal
Pois desaparecerá
Renascendo como deve ser.
Rita Padoin
Escritora
Minha mãe sempre me pergunta:
- Quando vais terminar de escrever?
- Nunca. Respondo
A escrita fez de mim morada. Se eu não conseguir
colocar para fora, morrerei. Escrevo porque preciso. Escrevo porque é o meu
alimento. Escrevo porque tenho necessidades urgentes. Escrevo porque ser
escritor também é uma profissão.
Outras pessoas me perguntam também:
- Não estás aposentada?
- Sim. Respondo. Mas, tenho o outro trabalho que é o de escrever.
Mesmo que muitas pessoas não levem a sério a escrita,
eu considero um trabalho. O meu trabalho. A minha profissão. O meu refúgio. A
minha casa. A minha fuga. O meu remédio. A minha cura. É nas entrelinhas que coloco
pra fora todas as minhas angústias, meus medos, minhas loucuras e meus
devaneios e as minhas necessidades.
Mesmo que eu não tenha que cumprir horários como uma
empresa. Mesmo que eu esteja em casa. Não tenho hora para escrever. É como se
eu estivesse de plantão 24 horas por dia. Quando a inspiração vem tenho que
estar preparada para recebê-la. Então, ser escritor é uma profissão sim e não
adianta dizer o contrário.
Agradeço a Deus todos os dias pelo presente que ele me
deu. Se a escrita não existisse na minha vida eu estaria morta. Então, vivo
porque para eu poder existir preciso urgentemente escrever.
Rita Padoin
Escritora
Enquanto aguardo o chamado da vida relembro os dias que
fiz de tudo para entender o que tinha acontecido. São as vagas lembranças do
meu compreender. Nada servirá se eu não viver o momento. Se eu não captar o que
está acontecendo. Se eu não tiver nas mãos explicações. Se eu não me reerguer
para entender. Tenho a nítida impressão de que as respostas sempre estiveram ali
presentes no meu dia-a-dia, porém meus olhos estavam vendados. Esta é uma
afirmação, não uma dúvida. Todos os dias tenho as respostas, sinais, perguntas,
interrogações, exclamações e se eu não prestar a devida atenção, viverei aleatoriamente.
Tem dias que o céu está limpo, noutros cinzento. Tem
dias que venta, noutros a calmaria se faz presente. Tem dias que o sol desponta
festivamente, noutros dorme nos braços do horizonte. Tem dias que acordo leve,
noutros a turbulência bagunça meu espiritual deixando tudo fora do contexto.
Assim, é a misteriosa vida, cheia de altos e baixos, assim como nós. Por sermos
parte de todo esse contexto, nos igualamos ao ciclo da natureza. O Universo se
movimenta constantemente e nos chama para que estejamos no mesmo patamar.
Dificilmente conseguimos chegar nesse nível, mas chegaremos lá.
Com o tempo vamos percebendo todo esse movimento e
entenderemos a razão e o porquê da nossa vinda e da nossa missão. É um
processo. Uma evolução. Muitas vezes se torna doloroso, porém necessário. A
evolução é um processo que move e movimenta as águas serenas trazendo à tona
todo aquele resíduo acumulado. Parece improvável, mas é a realidade de um passado
que nem lembramos. Viemos de muitos recomeços. A bagagem é grande. Só o chamado
da vida pode nos restaurar para o novo.
Rita Padoin
Escritora
Como mudei! Nossa. Nem acredito. Eu era
uma menina cheia de sonhos e de expectativas. Vivia no mundo da lua como se o
mundo fosse um brinquedo nas minhas mãos. Parecia fácil demais naquela época. Sentia-me
leve e solta como uma pluma. Na verdade, como uma borboleta colorida e livre.
Não via problemas ao meu redor. Crise financeira? Nem passava perto.
Hoje, continuo sonhando, tendo
expectativas, mas sou realista. Sonho com os pés no chão. Cada ano que passava
eu entendia menos da vida porque eu queria coisas que eram apenas um sonho meu.
A realidade ficava escondida atrás das cortinas. E que realidade cruel! Olho
para atrás e vejo que a maioria dos sonhos não se concretizaram. Eram meus
sonhos e não os da vida.
Com minhas andanças, crescimento e
evolução, fui vendo que a vida é um rasgar de pele. Um chicote sem mãos
segurando-o. Uma longa e difícil caminhada. Tropeços e mais tropeços. A minha
realidade mudou. Fiquei frustrada? Muito! Sair de um mundo colorido e ver que
não era nada daquilo que eu imaginava, foi terrível.
De repente, me vi num buraco fundo e
escuro. Foi horrível. Pensei que nunca mais ia sair de lá. Que sensação
esquisita. Uma loucura. Foi desta forma que percebi que tinha crescido. Que não
era mais aquela menininha boba e infantil com sonhos coloridos. Que a vida
tinha me empurrado de um precipício para eu acordar e enxergar o mundo real.
Mesmo assim, não deixei aquela essência
morrer. Não deixei a menininha sonhadora para trás. Continuo igual. Os mesmos
valores, as mesmas ideologias, os mesmos sonhos e as mesmas buscas, mas com a
intensidade e a realidade de hoje.
Dei-me conta de que tudo tinha mudado. As
pessoas tinham ficado mais velhas. Os lugares foram reformulados. As casas
deram lugar aos edifícios. As árvores, quase não existiam mais. As ruas que
eram rusticas, deram lugar ao asfalto, tudo tinha mudado, menos eu. Entendi
então o que a vida estava querendo me dizer. Cresci e entendi que as mudanças
são chaves para o sucesso interno e externo.
Rita Padoin
Escritora
Lançamento do Livro "Omero, Uma Vida em Movimento" de Omero De Bona. Uma noite memorável entre amigos.
Somos fases. Cada qual com seu alinhamento.
Iluminamos quando encaramos nosso sol interno e refletimos além da nossa
intensidade. Só assim conseguimos observar nosso planeta. Criamos nosso momento
enquanto crescemos ou precisamos nos encolher. São as fases da vida. Todas com
o seu momento sanfona.
Quando somos “nova” passamos invisíveis aos olhos
observadores. Enquanto estamos no nosso momento de transição, continuamos o
nosso movimento em torno de nosso planeta.
Quando estamos “cheia” conseguimos nos ver por
completa. Nosso momento se torna intenso e quando estamos alinhados, acontecem
nossos eclipses.
Quando minguamos nos tornamos intermediários.
Diminuímos gradativamente e nem por isto deixamos de lado nosso lado apogeu.
Nossos movimentos se transformam e se alinham em
torno do nosso próprio eixo.
Escritora