domingo, 11 de maio de 2025

Rendo-me

Às vezes, sinto que mereço ter meu momento. Aquele momento tão esperado de muitos e muitos anos. Ter as minhas horas e fazer delas o que eu quiser. Ter minhas vontades e me desfrutar como se não houvesse amanhã. Mas, sempre que me sinto livre e com este momento, algo me cutuca e sinto que não o mereço ainda. Sinto que tenho algo a fazer ou pessoas precisando de mim e eu estou ali naquele meu momento, desfrutando de algo que não é meu. Sinto que não mereço aquele momento e que não chegou a hora de eu me sentir livre.

 

Concordo que temos uma missão. Concordo também que temos que ajudar o próximo, mas deixar de lado a nossa vida, os nossos sonhos, as nossas vontades, para ter que viver a vida de outros, acho um pouco de demais. Não consigo entender certos fatos ou certos fardos. Procuro aceitar tudo que a vida impõe. Procuro me desapegar de tudo, porque sei que nada é meu, mas largar tudo?

 

A vida está sempre nos colocando à prova. Lembrando-nos que não viemos para desfrutar e sim para aprender a lidar com os problemas e aceitá-los. Seria muita pretensão de minha parte se eu questionasse os desígnios a mim delegado? Queria pensar que não. Mas, questiono porque quero entender certos fatos. Por que não 50%? Por que tem que ser os 100%? Por que? Não sei responder e ninguém saberá me responder também.

 

Porém, sei que tenho apenas uma opção, que é aceitar. Caso contrário, não sairei ilesa desta missão. Sendo assim, eu me rendo. Rendo-me de lutar, de tentar entender algo que não está sobre minha jurisdição. Rendo-me a vida e os seus mistérios. Rendo-me apenas...

 

Rita Padoin

quinta-feira, 8 de maio de 2025

O Medo

O medo está sempre à espreita. Vive no entremeio da nossa consciência e nos engole como se fossemos um prato cheio. Uma mistura de vários pontos imagináveis e inimagináveis que rondam nossa volta, nos amedrontando. Viver é uma salada de frutas, para que possamos experimentar a doçura da vida.

 

Há uma lacuna perigosa entre nós. É como um submundo escuro e frio que não sabemos onde vai dar, mas acabamos indo mesmo assim. O medo em si vai ficando para trás. Ele nos assusta e mesmo assim seguimos. A passagem é estreita, insegura e longa. Só que a luz que guia é mais forte que o medo que segura.

 

Rita Padoin

domingo, 4 de maio de 2025

Excessos

Estou tentando me deslocar de minhas manias e abandonar meus excessos. Aqueles excessos emocionais que deixam rastros irreparáveis. Excessos de zelo. Excessos de querer. Excessos de excessos. Ás vezes, minhas manias, são extremamente agitadas como as águas turbulentas. Já meus momentos são eternos. Às vezes, tenho rompantes exagerados que não condiz com minha personalidade.

 

Viver é assim, um exagero. Nem sempre consigo me nutrir ou pensar nas possibilidades que eu poderia ter se parasse para pensar. Geralmente, eu paro. Noutras nem lembro. Piso no freio e acelero sem olhar para trás. Muitas vezes acabo batendo e me machucando. Viver é exageradamente uma loucura. Acelerar, frear, parar e muitas vezes nem embarcar nessa viagem.

 

Rita Padoin

quinta-feira, 1 de maio de 2025

O Amor

O amor atravessou meu caminho no momento em que levantei minha cabeça e dei de cara com aqueles olhos que atravessaram minha alma e minha dignidade. Naquele momento entendi que ele era o meu complemento. Entendi que olhares dizem tudo. Entendi que o encaixe perfeito está na alma. Entendi que ao atravessarmos o deserto do outro, estamos perdidos de emoções. O amor é algo tão incerto e tão misterioso que não conseguimos distingui-lo com o da paixão. E só vamos entender com o tempo, pois nossos passos serão longos e árduos. Mas, no fim tudo será esclarecido.

 

Rita Padoin

sábado, 26 de abril de 2025

Cicatrizes

Foi rápido, indolor e inocente.

Mas, deixou cicatrizes

O momento se desfez

E as horas atônitas

Se deixaram levar pelas incertezas.

 

Foi apenas um toque e um olhar

Para que tudo desmoronasse

Como uma avalanche

Um pecado

Sem promessas.

 

Quando apareces,

O momento se torna eterno.

A paz se encosta na coluna do tempo

E fica apenas observando.

Quando desapareces, também.

 

É como se já habitasses dentro de mim

E nenhum muro conseguisse separar.

O sentimento é assim,  

Leve como o vento

É o encontro enfim...

 

Rita Padoin

terça-feira, 22 de abril de 2025

O Olhar

Um olhar,

Intenso quanto o oceano

Em seu truculento momento.

Duas safiras fulgentes

Da cor do céu anilado.

 

E na busca, me perco

Em teu sorriso alvo

Da cor da alvura dos lírios

Dentro deste universo infindável

Nas vagas do mar. No assovio do vento.

 

Meus dedos tocam tua tez.

Um toque sutil,

Sem pretensão,

Sem intensão

E sem provocação.

 

Do toque,

Uma avalanche de emoções

Uma inesperada atração

Uma razão com emoção

Um sentimento desconhecido.

 

Rita Padoin

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Interrogações e Sonhos

Dentro dos meus pensamentos há uma gaveta cheia de interrogações e de sonhos. Todos pairando no ar. Uma revolução de pensamentos. Todos bons, mas com muitas incertezas. É normal? Sim. Pensando desta forma, eu me permito entrar e sair deste portal interior sem me prejudicar. Procuro entender cada interrogação. Cada passo que dou. Cada sinal da vida. Meus passos são incertos, mas com a certeza de que vou encontrar no caminho as respostas.

 

Rita Padoin