domingo, 20 de março de 2016

Etta James - I'd Rather Be Blind (Live at Montreux 1975)

INDECISÕES

Já é quase fevereiro e uma angustia me dominou por completo
Talvez seja este mês que passou e nem vi. Talvez seja o nada.
Talvez seja mais um ano que passará tão rápido que nem sentirei
Não sei dizer. Não sei mais nada. Tudo está tão vago.

Deixei recados mais uma vez e não obtive respostas.
Nada foi dito. Nem uma palavra, nem uma linha. Nada.
Apenas o vazio de uma noite de janeiro quente e silenciosa
Meus olhos observam o nada. Não tenho palavras para descrever.

Engoli seco e minha garganta doeu. Minha cabeça girou, girou, girou e
Não consegui ver nada além de uma poeira que se instalou bem na minha frente
São tantas interrogações, indecisões, dúvidas. Queria fazer perguntas, muitas perguntas. Mas, ninguém responde quando pergunto. Fico sem respostas.

Visualizo, sonho, busco, analiso e nada consigo de concreto. Silencio apenas.

Meus olhos pesam. Calo-me. Submeto-me entre a loucura e a insensatez. Talvez toda esta busca tenha me deixado um pouco desorientada ou sem a certeza do que eu quero na verdade. Apenas aguardo silenciosamente.
Rita Padoin 


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

MINGUANTE

Lá fora ainda é escuro. No céu apenas um fio dourado. É minguante.
Amanhã talvez não a veremos mais. Apenas um céu negro como a madrugada.
O eco apavorará os que dele tem medo e o som do invisível emudecerá.
No pensamento apenas lembranças de uma noite que deixará saudades.

O vento nordeste quebra o silêncio. Os olhos vagam, entre os vidros da janela aberta, ainda se consegue ver lá fora o balançar das árvores. 
O coração se agita e bate descompassado. O medo se faz presente.
Uma vertigem percorre o corpo e a sensação é de frio.

Até o dia clarear ainda faltam algumas horas. Os pássaros nem acordaram.
As folhas ao balançarem me reportaram há um tempo passado.
A sensação é de bem estar. De tranquilidade. De leveza. De levitação.
Um encontro de paz e de tranquilidade entre a alma e o espirito.

Rita Padoin

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

RECOMEÇO

Uma visão, uma mão sobre o vidro da janela.
Um pensamento alheio, longe, vago, distante
Um destino a ser traçado, uma nova vida a ser definida
Olhos distantes buscam o vazio. Vidas não vividas.

É noite. A cidade acordara. O breu lá fora apavora
Às luzes ultrapassam as cortinas que através do vidro emolduram a sala
O medo ficou do lado de fora. É tempo de repensar, de ir além
O que estava guardado a sete chaves e o que estava oculto vieram à tona.

O Jazz toca na vitrola. A nostalgia se fez presente.
O passado trouxe lembranças de um tempo que desconhecemos
E que precisava ser vivido hoje. Resquícios de uma vaga lembrança. Um filme.
Nossa música, um vinho na taça, um brinde, uma dança.

Uma caneta esquecida no móvel da sala. Um pedaço de papel sobre a mesa
História para contar. Relatos que nem lembrávamos de que um dia fez parte
Da nossa história. Vem. Chegou a hora. Precisamos revirar as páginas
Recomeçar. Reescrever. Reinventar ou talvez deixar acontecer.

A madrugada se despede neste momento e eu preciso partir.
O que precisava terminar, o tempo se encarregou de levar
Um novo período irá começar. Uma nova porta irá se abrir.
Uma nova chave no chaveiro. Um novo tempo e uma nova escolha.
Rita Padoin


terça-feira, 17 de novembro de 2015

LEMBRANÇAS

Ontem foi saudade. Hoje, apenas lembranças.
Lembranças de uma distância que havia nos separado
E que ficou inalcançável.
Quebrei meus paradigmas
Redescobri cada segundo
Cada minuto
Que a distância havia nos roubado.
O tempo se encarregou de passar por nós
Sem deixar qualquer cicatriz,
Apenas nos olhou nos olhos e resolveu nos dar uma trégua.

Hoje somos uma só alma, unidas e que o passado não separou. 

Rita Padoin

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

PRIMAVERA

É primavera!
O espetáculo da natureza começa a desabrochar
As flores que até ontem estavam em dormência
Hoje despontam para uma nova era
Um novo recomeço,
Uma nova vida.
Talvez para uns nada disso importe.
Para outros uma nova e importante jornada.


É primavera!
Mais um ano se foi e lá trás um passado que ficou distante
Uma história que ficará apenas na lembrança
Talvez para uns, boas,
Para outros, apenas resquícios de saudade.
Porém, as primaveras vêm e se vão.
Trazendo sempre com elas uma nova estação
Com grandes expectativa.


Rita Padoin

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

LOUCURAS DE UM DIA QUALQUER

Quero o tudo e o nada,
O sim e o não
As loucuras de um dia de verão
A introspecção de um dia de inverno
As coisas boas e doces
Não quero as inverdades
Nem as poucas palavras
Nem o tempo corrido
Quero os segredos de um dia de outono
Os primeiros raios de sol a banhar meu corpo
Quero todas as verdades
Todas as noites enluaradas.


Às vezes choro e noutras eu sorrio
Às vezes as lágrimas teimam em sair,
Noutras as retenho e elas acabam me inundando
Às vezes sinto raiva e noutras o amor me abraça forte
Às vezes sinto desejos e noutras o desejo me corroí
Às vezes as loucuras me trazem recordações,
Noutras as recordações se esvaiam
Num dia quero-te perto, noutros prefiro a distância
Assim, o tempo passa sem que eu perceba
E com ele eu também.


Rita Padoin