sábado, 23 de março de 2024

Ponto de Equilíbrio

Quando preciso dizer algo, divago pelos campos sem fim. Sem sombra de dúvida esse campo vai ter muito a me dizer. E no silêncio do momento há uma voz que grita. Um soluço que engasga. Uma indicação do meu destino. Vivo de pequenos momentos. Para uns, pode ser pouco, mas para mim é o suficiente.

 

Sou uma mistura de vários temperos. Às vezes me perco no meio de tantos aromas. Tantos sabores e dissabores. Noutras me sinto como se eu estivesse em uma gangorra num parque de diversões tentando me equilibrar. Meus passos se tornam pesados. Meu intelecto aguçado me segura firme dizendo que há uma dualidade me equilibrando desses impasses. Caminho então lentamente nessa direção que me leva a um ponto que desconheço. Um ponto de certezas. Um ponto de equilíbrio. Um ponto de luz.

 

Quero ter no meio disto tudo, o ponto estratégico. A segurança. A disciplina. A ordem. Sei que a dificuldade vem a todo momento. Ela pesa na balança do tempo. Sou a coragem misturada com o medo de atravessar e seguir em frente. Uma força me diz que serei o que eu quiser se vestir a força e deixar escorrer entre meus dedos o medo.

 

Aprendi a lição que é vivendo um dia de cada vez que consigo me achar. Aprendi lembrando de que eu sou o meu presente e que conseguirei enfrentar as tempestades sozinha. Aprendi que viver é isto, um mar de emoções. Um vendaval de incertezas. Um terremoto de devastações e incertezas, trazendo com ele, a paz depois. Aprendi tanta coisa que desaprendi a ser quem eu era e renasci.

 

Rita Padoin

Escritora

quinta-feira, 21 de março de 2024

21 de Março - Dia da Poesia

Cai a Tarde

 

Cai a tarde e o céu arde em chamas.

Entre nuvens espessas o sol se despede.

Os olhares se cruzam e pelos caminhos

Longos e silenciosos, a paz reina.

 

A noite surge lentamente entre os arvoredos

Longos e retilíneos. Morrem as horas, os nós

E as loucuras. O tempo cavalga apressadamente

Em seu cavalo alado sem olhar para trás.

 

Assim, o momento vai se desfazendo aos poucos.

Sem percebermos, toda aquela plenitude e

Encantamento vai se dissipando.

Resta apenas a lembrança de um dia especial.

 

Rita Padoin

domingo, 10 de março de 2024

Picância

O paladar sentiu quando o vinho escorreu

Pelos botões gustativos uma picância.

O sentimento se elevou atraindo as fortes emoções

Descartando aos poucos as desilusões e

Entregando apenas o dulçor da fruta dos deuses.

 

Rita Padoin

sábado, 2 de março de 2024

Vivo de Urgências

Vivo de urgências

Uma a uma.

Todas de formas diferentes

De um tempo corrido. Um tempo único

Sem a louca e alucinada vida.

 

Vivo de urgências

Com o mundo todinho dentro de mim.

Uma sensação intensa!

Brutalmente intensa.

Meus órgãos chegam a se movimentar.

 

Vivo de urgências

Urgências que abrem caminhos

Levam as dores embora

Acodem minhas indecisões

Limitam meus passos indesejáveis

 

Vivo de urgências

Urgências de abraços

De beijos amigáveis

De carinhos intermináveis

E loucuras adoráveis.

 

Rita Padoin



sábado, 24 de fevereiro de 2024

Incomodações Alheias

Quando eu era jovem

Minha pele era rósea

Meus cabelos, castanhos e ondulados

Tinham um brilho intenso.

Quando a luz refletia, pareciam fios de ouro

Caindo em cascatas.

Meu rosto tinha um formato oval

Era bonito, romântico e meio sensual.

Mas, meu corpo era de um magro esquelético

Aparecia apenas os ossos e nada mais

Usavam várias linguagens para os apelidos

Sentia-me envergonhada e sem jeito

Escondia-me entre a sombra do amanhã

E nas minhas invisíveis asas angelicais.

Sem sombra de dúvida ficaram marcas profundas

Dilaceraram meu íntimo e cuspiram no meu brio.

Hoje, restaram ainda marcas daquela época

Porém, joguei no vácuo e vivo sem lembrar dessas

Pequenas e intoleráveis incomodações alheias.

 

Rita Padoin


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Pessoas

Pessoas vem e vão.

As que ficam,

Deixam um perfume.

Um aroma adocicado.

As que vão deixam um pedaço seu e

Levam um pedaço de nós.

Das que vão fica a saudade de um dia

Ter vivido intensamente.

As que ficam, nos embalam

Nos abraçam e nos aconchegam.

Assim, são as pessoas que passam por nós.

 

Rita Padoin


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Tenho certa Urgência

Tenho certa urgência de me conhecer melhor

De me adaptar com certas exigências

De extrair de dentro de mim o sabor que acolhe

O sabor amargo misturado com doce

O sabor que equilibra o meio termo

Ou o inteiro, ou o equilíbrio, ou o desequilíbrio

Tenho certa urgência de te encontrar

Em um certo momento da minha existência

E te lembrar que somos um só nessa imensidão.

Que a vida está nos dando a chance do reencontro

Tenho certa urgência de te dizer que além de tudo

Nada mais importa a não ser o desejo de ser o que sou de verdade.

De me buscar, de me proteger, de me abraçar, de me olhar

E nessa minha certa urgência de renascer contigo ao meu lado.

Rita Padoin