segunda-feira, 5 de março de 2018

OLHOS DO PECADO

Os olhos do pecado, desejam o improvável.
Eles buscam desejos ocultos e mistérios irrevelados.
Os invisíveis mundos subterrâneos se abrem e
Entre os dedos escorrem a malícia da intensão.

O proibido acolhe em seus braços sem inibição,
Fragmentos do desejo que se escondem embaixo dos segredos.
Leva apenas pedaços daquilo que não é entendido.
O tempo corre, a vida morre e a intensão fica.

Os olhos do pecado, arregalados, fingem indiferença.
A luta é inevitável. O desejo arranha a alma e despedaça a morte.
Os dedos longos e frios, percorrem a pele branca como a cera,
Deixando a parte, os delírios de uma noite sombria.
Rita Padoin

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O MAR E EU

         Ainda quero morar na praia, perto do mar. Eu mereço morar na praia, perto do mar. Mereço, porque eu amo a natureza incondicionalmente. É necessário amar, para merecer o amor, e eu o mereço, porque o amo. Amo-o, nas 24 horas do dia e da noite. Amo-o pelo seu cheiro, pelo seu aroma. A maresia me inebria e deixa-me dormente perante a grandeza do mar. É uma viagem ao além.
Amo seu som, a sua cor, ou quando ele não tem cor. Quando tudo fica indefinido e essa indefinição me transporta para um mundo de sentimentos neutros. Gosto de sentir a areia nos pés enquanto caminho. Ela me leva a descobrir caminhos inevitáveis. Quando meus pés tocam a areia, meu corpo sente a sua energia, a sua vibração. Sinto como se eu não estivesse ali. Ouço o infinito falando. Seus sons me elevam. Meus olhos, veem além das cortinas invisíveis do mistério e da luz. Meus pensamentos viajam e vão em busca do meu verdadeiro eu.
Eu amo a praia e o mar, o ano inteiro; a cada minuto, a cada segundo, a cada milésimo de segundo. Gosto de sentir o seu cheiro nas mudanças de estações. Acompanhá-las, pausadamente. As sensações são diferentes. O cheiro é diferente. Às vezes ele é perfumado, noutras amadeirado. Às vezes é tão doce, que nos sentimos a própria estação. Noutras, parece que as três essências se misturam, e aí se torna um mistério. Uma elevação dos sentidos. Um desnudamento total.
Eu amo o mar por tantas razões, que encheria um livro de mil páginas se preciso fosse. Descrevê-lo-ia de tantas formas, que não teria mais lugar para colocar as palavras. Elas atravessariam oceanos e seriam infinitas. Encheriam o mundo inteiro. Talvez, sufocariam as pessoas, de tantas soltas no ar. Flutuariam como se tivessem asas e no infinito céu, se tornariam aves. Bateriam as asas e se perderiam no infinito. Exagero? Mas, o amor é assim, infinitamente exagerado.

         O amor é espiritual. Tem que senti-lo. Se não o sentir, não é amor. São por estas e outras razões que eu mereço morar perto do mar. Rita Padoin

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

ELA

Ele disse a ela: 
Passei a ser dispensável para ti. Hoje, tua vida é outra. Te libertaste e agora estás livre. 
Verdade. Disto ele tem toda a razão. Ele foi indispensável por muito tempo e não percebeu. Ignorava-a. Agora ela mudou. Cresceu, evoluiu e quando ele percebeu, ela já tinha voado. Ela saiu da casca e despertou para o mundo e ele, ficou para trás.

Há muito tempo ela vivia dentro de um casulo, presa e sem perspectiva nenhuma. Aquele casulo estava apertado demais. Seu corpo doía muito. Lutou bravamente para a sua libertação e como uma linda borboleta, voou. Ele, sempre achou que a tivesse mantido sobre seu domínio. Mas, enganou-se e quando percebeu tinha perdido-a.  
Rita Padoin

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O REAL

O real engole o irreal imperceptivelmente. 
A vida é justa e achamos que não a entendemos.
O tempo corre como se fosse um maratonista
E ninguém compreende que tudo é sintonia.

Vivenciamos a implacável luta dos injustiçados
E não o entendemos de forma adequada.
A guerra que interiormente nos afeta
Dilacera as experientes buscas da nossa sabedoria.

O que nos impede é o medo de seguir e buscar
Aquilo que temamos não dar certo.
A luta sempre será travada por aqueles que
Não tem a audácia de buscar o ideal sonhado.

Nada é real. Tudo é irreal e improvável
Até que provemos o contrário.
O que nos une é a busca e a luta pela nossa
Vontade de vencer a guerra que nunca existiu.
Rita Padoin



sábado, 14 de outubro de 2017

SENTIMENTOS

Gosto de falar dos meus sentimentos. Quando falo dos meus sentimentos, desnudo minhas intensões, rasgo o véu da minha timidez e me exponho completamente. Exponho meus segredos, minhas indecisões e minha intimidade, como se eu fosse me revirar do avesso. Falar deles me deixa completamente em fase de expansão. Revelo até a alma, que transmuta em ascensão.

Quando falo dos meus sentimentos, eles se revelam por si só como se fossem as noites e seus mistérios irrevelados. Quando falo deles, dispo até minha última intensão. Bebo até a última gota deste momento intencional. Meus sentimentos são como aves libertas. Eles voam, voam, voam pelos céus primaveris e aterrissam nas noites invernais. 

São flores, arco-íris e borboletas; perfumados, coloridos e leves. Também são ventos, tempestades e furacões. Dependendo da situação, deixam pedaços nostálgicos de momentos vividos. Assim são meus sentimentos, totalmente revelados...

Rita Padoin

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O VENTO

O vento leve
O vento breve
O vento devastador.
Cria
Avalia
Reconhece.
Sois nosso tempo
Nossa espera
Nossa indecisão.
O vento que traz
O vento que leva
O vento que ameniza.

Rita Padoin

terça-feira, 5 de setembro de 2017

MEDO

Se tenho medo? Sim. Muito medo. Medo de sentir o que estou sentindo. Medo de ir além do que estou habituada. Medo de tomar decisões que me tiram da zona de conforto e que poderão acabar me machucando. Medo do que a vida me reserva. Ridículo isso? Sim. Muito. Sei de tudo isto. Mas, as vezes parece que esqueço. Aí me perguntam: E como estás habituada? De que zona de conforto estás falando? Não saberia responder. Dentro de mim, eu sei o que estou sentindo, agora descrever, é muito difícil. São sentimentos internos, íntimos, secretos, misteriosos, que acabo cultivando e não tem como não sentir. E o medo, é um deles. Não o alimento e sinto a sua presença constantemente, bem naquele momento em que preciso tomar uma decisão, ele chega de mansinho e bate no meu ombro.
Aí penso: puxa vida, e agora? Ele está bem atrás de mim esperando uma reação. Faço o quê? Qual decisão devo tomar? Qual caminho devo seguir? O que está me esperando lá fora? Quanta interrogação, não é verdade? Pois é, a vida é assim, cheia de mistérios, dúvidas, indecisões e muitas interrogações. O que seria desta vida sem estes pormenores? Com certeza sem graça. E como seres humanos que somos, tenho certeza absoluta que estaríamos aqui reclamando que a vida é morna, insonsa, sem glamour nenhum. Por que isto? Por uma série de circunstâncias que criamos e nos adaptamos conforme a nossa necessidade.
E a vida se apresenta muito diferente daquilo que imaginamos. Acabamos percebendo que aquele cavalo branco, não existe. Aquele príncipe encantado, só nos livros de contos de fadas. Aqueles inúmeros sonhos que imaginávamos que iriamos encontrar logo ali, não o encontramos. Nos deparamos apenas com os tropeços e as lutas. Se quisermos alcançá-los, teremos que vencer aqueles obstáculos que nem imaginávamos que existiam. Pois é, não nos informaram que a vida seria assim. Cheia de bifurcações, tropeços e lutas. Que cair, faz parte. Os tropeços, necessários. As lutas, servirão para o nosso crescimento e a nossa evolução como seres humanos que somos.
Por isto que o medo se instala. Por não sabermos lidar com a situação. Por não sabermos que a vida é apenas um jogo e este jogo poderá se tornar perigoso demais se não soubermos entendê-lo. Que o medo é apenas ilusão. Um estado afetivo suscitado pela consciência e nos sentimos fracos perante ele por não sabermos decifrá-lo.

Com o tempo, tudo se resolve. Crescemos e vamos percebendo que tudo depende apenas de nós. O que sentimos é ilusão da nossa vontade e que com o tempo ela desaparece, ficando apenas o real.
Rita Padoin