quinta-feira, 15 de novembro de 2018

NOITE PRIMAVERIL

É noite, o vento traz consigo o perfume da doce e encantadora primavera. Mensagens indecifráveis. O olfato capta sem nada entender e a audição apenas ouve o burburinho que o som emite. O pensamento capta e o corpo responde. Estas sensações trazem dentro da noite, um legado de experiências. São segredos guardados a sete chaves.

É tempo de buscas e de lutas para entender este ar primaveril. Entender esta luta. Estes momentos de encantamento. Momentos que não entendemos, mas o sentimos profundamente.

Autora: Rita Padoin

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O NADA

Enquanto sentas na sacada e observas o nada, tudo acontece de forma sutil e enigmática. Cada palavras, cada frase, cada pensamento, cada momento se dissolvem como bolhas de sabão no ar. É como um sopro. Uma louca e irreverente mistura de tudo ao mesmo tempo.
É claro que entendes. Quando entras num túnel invisível, te conectas com o vazio silencioso. E neste, todas as loucuras imaginárias se dissipam naturalmente. O medo que te acompanha, é sinal da tua insegurança e da tua curiosidade sobre o imaginário que o mundo carrega nos braços.
Tens nas mãos todas as respostas. Estas te levarão ao mundo que tanto procuras. Nossas palavras, o vento levou. Nosso momento, irá ser lembrado para sempre.
Ficaram gravadas na nossa memória, aquelas que achamos importantes e significantes. De resto, evaporaram com o vento.

Autora: Rita Padoin



sexta-feira, 28 de setembro de 2018

MOMENTOS...

         Às vezes preciso me recompor. Fugir um pouco deste corre-corre e buscar um aconchego para me entregar de corpo e de alma. Noutras, tento juntar os cacos que deixei cair pelo caminho e remontá-los um a um, mas os cacos não se encaixam mais. Ficaram longe de ser real. Eles se perderam. Perderam o brilho e a cor. Olho para trás e não enxergo mais o que enxergava. Esta visibilidade me parece anormal, mas não é.

Parece-me que o tempo se aliou a uma parte de mim e estão me testando. Com certeza estão. As vezes não quero chorar, mas as lágrimas teimam em cair. Retenho-as. Respiro fundo e detenho minhas amarguras. São amarguras que apontam e nem sei de onde vem. Como é estranha esta sensação!! Parece-me que me pertence, porém acabo observando que não. Vem de um mundo imaginário e profundo. Vai passando o tempo, as horas e aquela sensação ruim também. Assim são os momentos, tanto os ruins, quanto os bons.
Rita Padoin



quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A TAÇA

A vela dentro da taça.
A taça dentro da noite.
O vinho dentro do resto.
A flor dentro da água.
A água dentro da taça e
O momento dentro de tudo.

Rita Padoin
  

terça-feira, 25 de setembro de 2018

SEGREDOS

Perguntam-me: o que tenho guardado dentro de mim?
São tantas coisas, que falar seria tirar de dentro do meu peito
Todos os meus segredos e os do mundo.
E os segredos do mundo não devem ser revelados.
Eles devem ser descobertos
E esta descoberta flui naturalmente.
O caminho é árduo e com muitos tropeços.
A montanha? íngreme.
Os passos? longos e cansativos.
A vida mostra todos caminhos
E todos os segredos escondidos.
Enxergá-los? Só se estivermos atentos.

Rita Padoin

sexta-feira, 1 de junho de 2018

PESO

Cadê o peso dos três pilares?
O peso que pesa
No centro do escopo
Que limita o tempo
Que limita o corpo.

O peso das esferas
O peso que as costas seguram
O passo que leva o corpo
O corpo que leva o peso.

A vida que segura o braço
Que limita o espaço
Que segura firme
O invisível laço.

O peso, o corpo e o tempo
Três limites
Três esferas
Três poderes.

Rita Padoin

_______Foto de Danilo Maciel

terça-feira, 1 de maio de 2018

UNIVERSO AZUL

O universo se vestiu de azul e o cenário desabrochou em festa.
Entre os tons, a nuvem passa em suaves passos e o vento
Assovia despenteando os cabelos. Uma revoada de pássaros
Sobrevoa o local e o momento se torna inesquecivelmente belo.

O azul se fez em degradê sobre arvoredos gigantescos; a transição
Suave entre as cores derramadas numa tela pálida, formou-se.
A aurora cobriu-se em flores e a lua desperta, branca e plena,
Desfalece lentamente, antes de dar o último suspiro.

M’alma descansa nas asas do sonho perdido. Leva os dessabores
Nos ombros do infinito mundo imaginário. O tempo guarda na gaveta,
Segredos inimagináveis e nos braços da saudade, chora a melancolia.
O sol desperta e todo o azul se despede, deixando apenas a lembrança.

Rita Padoin