sexta-feira, 28 de setembro de 2018

MOMENTOS...

         Às vezes preciso me recompor. Fugir um pouco deste corre-corre e buscar um aconchego para me entregar de corpo e de alma. Noutras, tento juntar os cacos que deixei cair pelo caminho e remontá-los um a um, mas os cacos não se encaixam mais. Ficaram longe de ser real. Eles se perderam. Perderam o brilho e a cor. Olho para trás e não enxergo mais o que enxergava. Esta visibilidade me parece anormal, mas não é.

Parece-me que o tempo se aliou a uma parte de mim e estão me testando. Com certeza estão. As vezes não quero chorar, mas as lágrimas teimam em cair. Retenho-as. Respiro fundo e detenho minhas amarguras. São amarguras que apontam e nem sei de onde vem. Como é estranha esta sensação!! Parece-me que me pertence, porém acabo observando que não. Vem de um mundo imaginário e profundo. Vai passando o tempo, as horas e aquela sensação ruim também. Assim são os momentos, tanto os ruins, quanto os bons.
Rita Padoin



quarta-feira, 26 de setembro de 2018

A TAÇA

A vela dentro da taça.
A taça dentro da noite.
O vinho dentro do resto.
A flor dentro da água.
A água dentro da taça e
O momento dentro de tudo.

Rita Padoin
  

terça-feira, 25 de setembro de 2018

SEGREDOS

Perguntam-me: o que tenho guardado dentro de mim?
São tantas coisas, que falar seria tirar de dentro do meu peito
Todos os meus segredos e os do mundo.
E os segredos do mundo não devem ser revelados.
Eles devem ser descobertos
E esta descoberta flui naturalmente.
O caminho é árduo e com muitos tropeços.
A montanha? íngreme.
Os passos? longos e cansativos.
A vida mostra todos caminhos
E todos os segredos escondidos.
Enxergá-los? Só se estivermos atentos.

Rita Padoin

sexta-feira, 1 de junho de 2018

PESO

Cadê o peso dos três pilares?
O peso que pesa
No centro do escopo
Que limita o tempo
Que limita o corpo.

O peso das esferas
O peso que as costas seguram
O passo que leva o corpo
O corpo que leva o peso.

A vida que segura o braço
Que limita o espaço
Que segura firme
O invisível laço.

O peso, o corpo e o tempo
Três limites
Três esferas
Três poderes.

Rita Padoin

_______Foto de Danilo Maciel

terça-feira, 1 de maio de 2018

UNIVERSO AZUL

O universo se vestiu de azul e o cenário desabrochou em festa.
Entre os tons, a nuvem passa em suaves passos e o vento
Assovia despenteando os cabelos. Uma revoada de pássaros
Sobrevoa o local e o momento se torna inesquecivelmente belo.

O azul se fez em degradê sobre arvoredos gigantescos; a transição
Suave entre as cores derramadas numa tela pálida, formou-se.
A aurora cobriu-se em flores e a lua desperta, branca e plena,
Desfalece lentamente, antes de dar o último suspiro.

M’alma descansa nas asas do sonho perdido. Leva os dessabores
Nos ombros do infinito mundo imaginário. O tempo guarda na gaveta,
Segredos inimagináveis e nos braços da saudade, chora a melancolia.
O sol desperta e todo o azul se despede, deixando apenas a lembrança.

Rita Padoin


quarta-feira, 4 de abril de 2018

ÉPOCAS DIFÍCEIS

Épocas difíceis. Cenários de um período de transição.
Pensamento rudimentar de uma vida não vivida.
Tempos perdidos. Um lugar vazio, sem lutas,
Sem buscas, sem vidas e sem horas marcadas.

Sentimentos de uma vida mal traçada. Lutas em vão.
Uma mistura ilusória, desenfreadas e sem forças para seguir.
Um lugar no tempo e no espaço aguardando o furor das buscas.
Buscas, raramente com acertos. Noutras sem o menor significado.

Decisões jogada ao léu, como se fossem um lixo inorgânico.
E seguimos nossa vida normalmente, como se nada ao nosso
Redor estivesse acontecendo. Mas, está. Tudo está mudando.
Metamorfoseando, morrendo e renascendo constantemente.

Seremos massacrados e pisoteados se não estivermos atentos.
Atentos ao quê? A vida, ao Universo, ao nosso redor e ao amor.
Os sinais constantemente se aliam, se movimentam, um a um.
Olhemos, busquemos entender e compreenderemos tudo.

Rita Padoin

quarta-feira, 21 de março de 2018

OUTONO

De repente, outono. Uma nova estação. Um novo ciclo.
Nem amanheceu e o silêncio que era total, acordara.
Lá fora, o breu da noite ainda se faz presente.
Ouvem-se sons. Variados, fortes e constantes.

O céu negro cobriu com seu manto todas as estrelas
E o sol ainda dorme no aconchego do horizonte.
O verão, que até ontem se fazia presente,
Afivelou as malas e partiu sem dizer uma única palavra.

Os braços da timidez se abriram e com um sorriso alegre
Deu-lhe as boas-vindas. O outono agradeceu e se sentou no banco
Solitário da praça. Despojou a mala do seu lado e descansou
Por um longo e calmo período antes de desfazê-la.

O banco solitário e triste, levantou os olhos e percebeu que o outono
Havia chegado. As folhas já estavam caindo e o vento cantava
Uma nova canção. Logo, amanheceria e o cenário seria outro.
A vida seria outra e os momentos, novos e inesquecíveis.
Rita Padoin