domingo, 8 de abril de 2012

Espelho...Rita Padoin

Mergulhei no sono eterno da alma
Vi-me refletida no espelho moldurado
Em madeira entalhada ao molde europeu
Pendurado na parede branca e fria
Analisei o espelho e eu
De pé na sua frente procurei
Respostas para as perguntas
Que eu mesma formulei
Meu rosto empalideceu
Moldado pelo efêmero modelo
Que me fizeram usar
Arranquei-o junto com toda tristeza e pranto
No chão espatifou-se a máscara fria
Vi meu rosto no chão em vários pedaços
Olhei-me no espelho novamente
Eu estava lá diante dele
Só a máscara caiu...

Creed - Torn

quinta-feira, 5 de abril de 2012

ÁGUA DE CACHOEIRA

A água lava o corpo, a água lava a pedra
Verte em súplica a cachoeira
Limpando as impurezas da alma
Em deleite o corpo entrega-se

O vento contempla o destino da água
Que desce verticalmente
Encortinando os segredos escondidos
No seio da mãe natureza

A cachoeira tem o mistério que não sei revelar
Só sei que verte água para lavar, água para benzer
O corpo que está deitado, o corpo que é injustiçado
A cachoeira lava o pecado derramado...


Rita Padoin

quinta-feira, 8 de março de 2012

Quietude...Rita Padoin

O dia findou-se
E a quietude da noite aproxima-se
Ao longe no infinito céu a lua surge
Os olhos estrelares observa-a

Ouça o grito do silencio
Por vezes o canto da coruja
Espalha o medo da noite negra
Com seus olhos observadores

Não tenha medo meu amado
Cobrir-te-ei com meus braços
O silencio acalmará teu peito
Acobertando todos os teus segredos

Não tenhas medo
Prometo no aconchego dos meus braços
Acalmar teu peito arfante
Que guarda todos os teus sonhos perdidos...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Aquieta-te...Rita Padoin

Aquieta-te, coração,
Que a chuva cai lá fora
E a tempestade raivosa ruge com seus trovões
Intempestivos e ameaçadores
Aquieta-te, pois os lamentos da minh’alma
Cantam em júbilo louvores a ti

Aquieta-te, coração,
Até que a primavera chegue novamente
E os lírios floresçam nos verdes vales sem fim
Irei respirar teu aroma deixando minha alma adormecida...

Aquieta-te e ouve minha longa história
Vê quantos segredos enraizados numa penúria sem fim
Tento arrancá-los, mas, suas raízes são profundas e velhas
Difícil tarefa com minhas mãos frágeis.

Vê, coração, quantos anos se passaram
O pêndulo do imortal segredo guardado continua lá
Na quietude do abismo onde o sol nasce e
O véu da escuridão aguarda o pôr do sol.

Canta meu coração, eleva tua voz aos céus
Arranca as penúrias da alma
Que as trevas evaporem nas ruínas infinitas
E a aurora desponte no limiar do amanhecer...