Da janela, contemplo, pálida de espanto,
O céu iluminado, carregado de estrelas.
Ao me deparar com tamanha beleza e inspiração
Cortejo com os astros, como se a ti cortejasse.
Relembro, coberta pelo manto escuro da noite,
O mistério que me envolve e me acaricia.
Amorosamente, como se fôssemos amigos íntimos
Buscando acalento e relembrando um passado.
Altas horas e os fantasmas me atormentam.
Iludida. Atormentada. Desfaleço entre o caos
E a tórrida lava de um extenso vulcão
Que pertence a um mundo interno e incerto.
O muro de silêncio divide dois mundos sepulcrais.
Minhas mãos suadas e trêmulas o empurram,
Sem sucesso. Exausta, reclino e o incerto sentimento
Esvai-se entre a noite e o silêncio da madrugada.
Rita Padoin

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