terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Momentos

Existem momentos inesquecíveis.

Outros, nem tanto.

E ainda aqueles que nos deixam arrasados.

 

Os momentos são os mesmos,

Mas para cada um,

Um novo despertar,

Um novo olhar,

Uma nova oportunidade,

Um novo acontecimento.

 

Momentos são instantes intitulados

Para que vivamos intensamente,

Ou deixamo-los escorrer pelas valas comuns.

Depende apenas da nossa ótica entendê-los

E fazer deles o melhor.

Rita Padoin




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Minha Verdade não se Negocia

Para sermos nós mesmos, é necessário deixar de lado as hipocrisias e ir direto ao ponto. Não é porque sou escritora e trabalho meu lado espiritual que preciso agradar a todos e engolir seco tudo o que vem pela frente.

 

Ser escritora ou buscar a espiritualidade para ser melhor não significa que eu tenha que ser boazinha e permitir que as pessoas pisem em mim, ou aceitar aquilo querem que eu seja. Não.

 

Ser nós mesmos e buscar o crescimento espiritual, é reconhecer que existem leis e direitos. Que existem regras. Que precisamos ser justos, bons de coração. Que as coisas precisam ser boas para ambas as partes, e não apenas para um lado.

 

Quero deixar registrado que não é porque escrevo sobre a vida – seus percalços, suas incógnitas, seus mistérios – que devo deixar de lado a minha verdade, os meus desejos e as minhas emoções.

 

Buscar evolução não significa aceitar desrespeito.
Bondade não é fraqueza.
Compreensão não é submissão.

 

Existem limites.
Existem direitos.
Existe verdade.

 

E eu não deixo a minha de lado para caber nas expectativas dos outros. 

 

Rita Padoin

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Minha Casa da Infância

Lembro-me de partes da minha infância.
Outras se perderam na memória,
como páginas de um livro apagadas pelo tempo.
As que ficaram são nítidas
como águas cristalinas.
Lembro-me delas como se fosse hoje.


O tempo corre como vento tempestivo,
levando lembranças como brumas.
A saudade fica,
e as memórias guardadas
no baú daqueles dias vividos
trazem nostalgia, alegria e amor.

 

Minha casa da infância tinha a cor da harmonia.
No jardim dos fundos, flores coloridas:
margaridas, amores-perfeitos,
bocas-de-leão e papoulas
ornamentavam o ambiente
com ternura e emoção.

 

Que saudade daquele tempo
que não volta mais.

 

Na frente da casa, uma figueira
sombreava a calçada.
Sob ela, um banco descansava solitário.
Ao fim da tarde, as mães conversavam
enquanto os filhos se amontoavam para brincar
até a noite chegar
e cada um voltar para casa descansar.

 

Minha casa da infância tinha gosto de emoção.
Os braços que me acolhiam na dor
eram os de minha avó,
apertando-me até tudo melhorar.
E os olhos castanhos de minha mãe
brilhavam de emoção
ao ver aquela cena
feita de paz e amor.

 

Rita Padoin




terça-feira, 27 de janeiro de 2026

A Corda

A corda vai, a corda vem,

E no balançar,

Um pulo aqui, outro acolá.

 

A menina de saia rodada

Cruza os pés no enlace na corda.

A fila anda, à espera da vez.

 

Um pulo aqui, um acolá

E, no ziguezague dos quadris,

A criançada se agita.

 

A corda se movimenta freneticamente,

Agora de dois em dois.

Um pulo aqui, outro acolá.

 

A corda vai, a corda vem.

A corda sobe, a corda desce.

As mãos se movimentam

Num giro de 360 graus.

 

No ar, vai desaparecendo

O vai e vem da corda.

 

Rita Padoin



quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Quando Eu Morrer

Quando eu morrer,

Cantem, dancem,

Bebam até cair.

Quero todos bem felizes.

 

Nada de caixão –

Não quero ficar sufocada

Incinerem meu corpo

E me lancem no mar.

 

Toquem violão,

Bateria e pés no chão.

Deem as mãos

E gritem de emoção.

 

Rita Padoin

sábado, 17 de janeiro de 2026

A Leveza do Amor

Estaria mentindo se dissesse que não acredito no amor

Ele se encontra entre as fissuras estreitas que permite a

Passagem de luz e de ar, variando da profundidade.

Ah! O amor. Sentimento que nos leva ao céu e ao

Inferno em questão de milésimos de segundos.

 

Num piscar de olhos sonhamos acordados

Com uma vida cheia de intensidade

Alguém nos elevando nas asas da emoção

Pesquisamos entre as linhas nossas duvidas

Mas, só o tempo nos dirá se realmente era o amor.

 

Entre altos e baixos vamos seguindo na descoberta

Desse amor que tem se confundido com a paixão.

Só que o amor é leve, livre, solto e paciente

Isto prova que somos desconhecedores de que

O amor é simplesmente a nossa evolução.

 

Rita Padoin




domingo, 11 de janeiro de 2026

Goethe e o Ouro

Brotam os filhos da terra.

Deles nascem os frutos:

Doces como o néctar,

Dourados como o sol.

 

Colhidos no verão escaldante

E adormecidos na escuridão

De uma noite sem fim.

 

Canta, de dentro da garrafa,

A alma do vinho aprisionada –

Bebida dos deuses do Olimpo

Que eternizava a vida.

 

Brindes e risos.

Abraços e aconchegos.

Nostalgias.

 

A poesia líquida é derramada em taças,

Deixando seu brilho

Reluzente como ouro

E o aroma do vinho Goethe.

 

Rita Padoin