Lembro-me de partes da minha infância.
Outras se perderam na memória,
como páginas de um livro apagadas pelo tempo.
As que ficaram são nítidas
como águas cristalinas.
Lembro-me delas como se fosse hoje.
O tempo corre como vento tempestivo,
levando lembranças como brumas.
A saudade fica,
e as memórias guardadas
no baú daqueles dias vividos
trazem nostalgia, alegria e amor.
Minha casa da infância tinha a cor da harmonia.
No jardim dos fundos, flores coloridas:
margaridas, amores-perfeitos,
bocas-de-leão e papoulas
ornamentavam o ambiente
com ternura e emoção.
Que saudade daquele tempo
que não volta mais.
Na frente da casa, uma figueira
sombreava a calçada.
Sob ela, um banco descansava solitário.
Ao fim da tarde, as mães conversavam
enquanto os filhos se amontoavam para brincar
até a noite chegar
e cada um voltar para casa descansar.
Minha casa da infância tinha gosto de emoção.
Os braços que me acolhiam na dor
eram os de minha avó,
apertando-me até tudo melhorar.
E os olhos castanhos de minha mãe
brilhavam de emoção
ao ver aquela cena
feita de paz e amor.
Rita Padoin

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